sábado, 15 de junho de 2013

A IDEOLOGIA HOMOSSEXUAL


Começo com uma pergunta: As ditas "fortes evidências de que o substrato neurobiológico para a orientação sexual já está presente nos primeiros anos de vida" de que falou alguém, para justificar a congenitalidade da homossexualidade, existem também nos nossos animais domésticos e selvagens (ex.: leão com leão, leoa com leoa, cadela com cadela, cão com cão, galo com galo, galinha com galinha)? Se sim, ao menos nós homens e mulheres, podemos desfrutar da nossa vantagem racional para orientar a nossa tendência sexual a pessoas do mesmo sexo para relações normais homem-mulher. Será que a nossa racionalidade vendêmo-la aos animais? É verdade que existem, assim como existiram nas sociedades antigas, pessoas com tendências homossexuais ou simplesmente com fortes tiques ou gostos femininos (no caso de homens) e masculinos ( no caso de mulheres) mas que vivem tranquilamente essa tendência em lares felizes (marido, esposa e filhos) – mesmo que admitamos que tenham existido na história da humanidade casos raros de relações homossexuais propriamente ditas -  porque a educação e o meio os ajudou a crescer na tomada de consciência da sua identidade e diferenciação sexual. Tendência não é estado; é uma possibilidade, portanto pode ser orientada para a mudança através da educação à assumpção da própria identidade sexual..., o que seria um processo de crescimento normal para os humanos racionais. Até a pessoa que nasce com o mais difìcil carácter possível, em termos psicológicos, pode se transformar em individuo com comportamento louvável, se cresce num ambiente em que lhe seja oferecida uma educação à altura. Ora essa: alguém tem tendência à droga, ao álcool, alguém é tendeciosamente violento, passamos-lhe o certificado de ter o direito à sua afirmação na sociedade como tal, só porque alguém disse e justificou com estudos científicos sem rigor nem imparcialidade – muito menos com objectivos civilizados – que tal sujeito já nasceu com essa tendência... Francamente! Mais uma prova da nossa falta de capacidade de análise crítica do que vem sendo dito e feito pelo mundo, sem contextualizá-lo no meio em que é feito e dito nem enquadrá-lo no nosso próprio tempo e espaço com sabedoria e em beneficio do nosso desenvolvimento, preferindo ir atrás de frivolidades como se não tivêssemos muitos problemas sérios por resolver a nível sócio-político, religioso-moral, pedagógico, económico, jurídico, etc.
De salientar que responsável pela eliminação da homossexualidade do elenco dos distúrbios ou desvios foi a APA (American Psychiatric Association) em 1994, na 4ª Edição do  “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders” conhecido como DSM4, fruto não de uma investigação científica aprofundada empírica e metodologicamente mas sim de uma decisão dessa Associação, votada à mão levantada depois de discussões dos vários pontos de vista, segundo a experiência de cada especialista associado. Passou-se assim, de uma distração e desatenção com relação a um problema que afectava algumas passoas, à teorização do “gender”, da homossexualidade, aos lobby gay e outras perversidades afins já não como uma orientação sexual mas como uma ideologia, apoiada e financiada por agências, instituições e pessoas empenhadas com suor no rosto ao controlo da natalidade sob capa da defesa dos direitos das minorias!
Segundo o Prof. Tony Anatrella, psicanalista francês de fama internacional, especialista em psiquiatria social, docente nas Faculdades livres de filosofia e psicologia de Paris e no Collège des Bernardins «a mentalidade narcisística, que recusa a alteridade como elemento necessário ao complemento do homem e da mulher, favorece a homossexualidade. [Em muitos Países, sobretudo Ocidentais] aumentam os comportamentos homossexuais porque a sociedade, em vez de favorecer a aceitação humana do próprio sexo primeiro e depois a do sexo oposto, favorece a regressão à fase infantil da sexualidade em que não se reconhece a alteridade como positiva. Mas se a criança não é ajudada a superar-se a si mesma e a sair das fases infantis, como por exemplo a fase anal, para além da homossexualidade pode incorrer em outros problemas muito sérios. O homem e a mulher desenvolvem a sua personalidade interiorizando o próprio corpo sexuado durante a infância e a adolescência. Quando isto não acontece, os sujeitos não aceitam o próprio corpo real, identificando-se desse modo com outro corpo que não corresponde à sua realidade pessoal: o corpo imaginado é diferente do corpo real» (Anatrella, La théorie du genre et l'origine de l'homosexualité, 2012). E esta frustração leva a cirurgias para mudança de sexo que temos vindo a assistir, com a consequente exibição infantil do assim chamado novo género ou novo corpo que, certamente, não destrói as suas reais hormonas correspondentes ao seu sexo “original”. E como o reverso fica mais complicado, não lhe resta mesmo senão continuar a tocar campainhas para que encontre apoio da sociedade.
Que a dignidade dos homossexuais seja respeitada como a de qualquer pessoa, não tenho nada contra; mas que as suas práticas sejam importadas, incentivadas e apoiadas em detrimento dos valores intrínsecos à normal condição humana/familiar e inerentes à cultura e aos bons costumes da minha Angola, então digo: não, obrigado!; prefiro ser chamado homófobo, mesmo que não o seja!
Por isso é importante, antes de tudo, recuperar os nossos valores culturais e criar um ambiente e condições para que esses valores sejam transmitidos e assimilados. O problema mesmo na nossa coitada Angola é que tudo o que vem do estrangeiro, sobretudo se for brasileiro e extravagante, consideramo-lo novidade e desenvolvimento, enquanto os nossos valores culturais são tidos como atraso!

sábado, 25 de maio de 2013

A ÁFRICA MERECE MAIS!

    25/05/2013
    Neste dia dedicado à África (50 anos depois da fundação da OUA, hoje UA),

faço meu o grito de Vicky Fornah (na sua musica “Unite Africa”) a todos os líderes africanos e actores sociais:

é preciso – porque é possível – eliminar a pobreza, a fome, as guerras, a corrupção, o nepotismo.
Lutai, sem armas, pela unidade da África e pela integração económica!
O segundo apelo é dirigido aos líderes ocidentais, fabricadores e comerciantes de armas:  envergonhai-vos de viver à custa da morte e da miséria de inocentes que as vossas armas causam todos os dias em muitas partes de África! Que a ONU deixe de ser servidora dos interesses opressores e parciais das grandes Potencias do mundo!


En cette journée consacrée à l'Afrique (50 ans après la fondation de l'OUA, aujourd'hui UA), voilà mon cri à tous les dirigeants africains et les acteurs sociaux:
Il faut - car il est possible - éliminaire la pauvreté, la faim, les guerres, la corruption, le népotisme.
Je vous demande: engagez vous pour le batiment de l'unité de l'Afrique et pour l'intégration économique!
Le deuxième appel est dirigé vers les dirigeants occidentaux, les fabricants et les marchands d'armes: est ce que vous pouvez avoir un peu honte de vivre aux dépens de la mort et de la misère des innocents que vos armes font chaque jour dans de nombreuses parties de l'Afrique? Que l'ONU cesse d'être un serviteur des oppresseurs et des intérêts partiels des grandes puissances du monde!

In this day dedicated to Africa (50 years after the founding of the OAU, now AU), this is my cry to all African leaders and social actors:
I ask you to eliminate poverty, hunger, wars, corruption, nepotism.
I invite all of you to find an agreement in order to build an African unity based on economic integration, civil and democratic values, as well as on good African traditions

The second call is directed to Western leaders, manufacturers and merchants of guns:  please, be  a little ashamed because your guns reproduce everyday innocent victims and multiply misery in many parts of Africa. Until when will the UN continues to be a servant of the oppressors and partial interests of the great powers in the world?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012



Desafios e recursos para a solidariedade, a fraternidade, a reconciliação e a paz na era global.
 

1.     A globalização da solidariedade e da fraternidade
Em todo o processo pedagógico que respeite a dignidade da pessoa humana, é crucial a orientação sistémica dos processos globalizadores tendentes a ser veículos de transmissão da solidariedade e da fraternidade, promovidas, realizadas e intensificadas na cooperação, na colaboração e na interdependência. Queremos aqui afirmar que a globalização, com todas as facilidades que oferece a nível da comunicação, contacto e interações de todo o tipo, pode ser um grande recurso à disposição de todos para promover a difusão-assunção livre e consciente da solidariedade, da caridade e da fraternidade, quer a nível individual quer social. O mesmo se diga da reconciliação e da paz!
A fluidez de movimento, a inovação dos meios de intervenção e a comunicação digital permitem cuidar de quem passe por várias dificuldades mesmo que se encontre a uma distância de milhares e milhares de kilómetros de nós.  Todos os gestos que temos vindo a assistir um pouco por todos os continentes – por ocasião de calamidades naturais como cheias devastadoras, terramotos, ciclones e crises de vária ordem – nos permitem acreditar que quando o detentor da tecnologia de ponta  tem um coração capaz de se comover e envidar todos os esforços a fim de encontrar uma solução sem esperar por muitas telecâmaras, então essa ( a tecnologia) se torna eficaz e eficiente no bem. Quando, pelo contrário, a tecnologia é detida por quem respira ódio, cobiça e orgulho, ela se torna também eficaz na produção e reprodução de violências e morte. E o pior acontece quando se pensa que se possa dar cobro a essas emergências com armas na mão: por mais sofisticadas que essas sejam, elas atingem também o pacato cidadão inocente que se encontra além do alvo preconizado; e não livram do terror o seu portador que se torna num eterno inseguro defensor-atacante em duas alas do campo (direita e esquerda sem jamais se posicionar como meio-campista nem como defesa central), com redondas falhas de passes para o ponta de lança e com muitos auto-golos consentidos. Resultado: pânico dos adeptos na bancada!


2.     Será que a segurança global gerou a insegurança global, que invadiu o subconsciente colectivo de muitos Estados?

É preciso pôr as novas tecnologias, facilitadas pela globalização, ao serviço da promoção da justiça, da paz, do diálogo e do respeito pelo bem comum. Deste modo, as pessoas singulares e povos deste século XXI poderão aproximar-se uns dos outros despidos de todo o tipo de preconceito e fobia, relançando pontes de reconciliação mais largas e compridas.

Na globalização é preciso promover iniciativas tendentes a sustentar o desenvolvimento integral do homem e da mulher e a justa cooperação entre as nações. A propósito, João Paulo II no seu encontro com o mundo sindical em Tor Vergata –Roma no ano 2000 disse que o fenómeno da globalização hoje deveria ser governado com sabedoria, que visasse mesmo a “globalização da solidariedade”. Na mesma perspectiva, nós falamos da necessidade de globalizar a paz, globalizando antes de tudo a justiça social recorrendo a meios pacíficos.

Tal compromisso é actualmente reafirmado por Bento XVI, quando na Caritas in Veritate afirma che a ajuda internacional dentro de um projecto solidarístico que visa a solução dos actuais problemas económicos deveria apoiar a consolidação dos sistemas constitucionais, jurídicos e administrativos nos Países que ainda não beneficiam plenamente desses bens.
Mas é preciso não limitar-se às ajudas económicas; ao lado dessas é necessário que estejam aquelas que visam reforçar as garantias de um Estado de direito, um serviço de ordem pública e prisional eficiente, no respeito dos direitos humanos e instituições verdadeiramente democráticas. Neste caso, o Papa entende a globalização como um processo sócio-económico, mas acrescenta imediatamente que esta não é a única sua dimensão. Existe também o desafio da realidade de uma humanidade que se torna cada vez mais interconexa, nós diríamos “quase interculturada”; e essa é constituida por pessoas e povos a quem o processo da globalização deve ser útil transformando-se em factor de desenvolvimento, o que só é possível se cada parte (individuo ou grupo) assumir as suas responsabilidades.  

A superação das fronteiras não é apenas um facto material, mas deve concretizar-se a nível cultural nas suas causas e nos seus efeitos. A globalização é uma realidade humana e pode ser produto de várias tendências culturais sobre as quais se requer fazer um discernimento.

A verdade da globalização como processo e o seu critério ético fundamental se dão pela unidade da família humana e pelo seu desenvolvimento equo. É preciso, com efeito, empenhar-se incessantemente para favorecer uma orientação cultural personalista e comunitária do processo de integração planetária, aberta à transcendencia[1]. 

Portanto, para fazer face ao desafio da globalização, qual fenómeno e processo complexo, é preciso a conjugação de opções que estejam à altura de dar uma resposta cada vez mais global[2]: eis a tarefa da política, enquanto assenta na dignidade da pessoa humana e da mesma se torna garante, dentro dos parâmetros de um grupo social e cultural específico.

De facto, «a globalização é um processo de integração; não é realístico enfrentá-la com enfoques sectoriais muito diversificados. Não se pode obter uma globalização justa apoiando-se numa série de decisões diversificadas sobre questões como o comércio, as finanças, o trabalho, a educação ou a saúde, concebidas e aplicadas indepentemente. Um processo de integração precisa de soluções integradas e, obviamente, de políticas integradas»[3].

Enfim, a globalização da solidariedade e da fraternidade deve impregnar todos os sectores cujos efeitos de uma globalização desmoralizante e opressora, ávida do lucro egoístico, possam criar fogueiras acesas de injustiças e violação de tantos direitos do homem, que mantêm muitas pessoas e tantos povos do mundo reféns de uma condição de subdesenvolvimento em estado crónico avançado.  

Para os cristãos, a globalização da solidariedade e da fraternidade não se deve limitar a discursos teóricos ou a conceitos, mas deve transformar-se em mecanismo de desenvolvimento baseado na caridade evangélica: somos todos irmãos e ninguém tem o direito de privar o outro da sua dignidade, seja ele quem for. É aqui onde os cristãos, sobretudo aqueles que desempenham funções públicas, mas também gestores, empresários e empreendedores, consagrados, agentes de fiscalização a nível financeiro, económico e político, são desafiados a dar um novo rosto de fraternidade e de ética às instituições e às relações entre pessoas, povos e culturas. Não basta a contestação, não basta dizer “no global” – slogan de muitas associações e movimentos no-global – mas é preciso identificar os pontos fracos de tal fenómeno e injectar-lhe um remédio capaz de gerar novas oportunidades para a construção de relações humanas sadias.  



[1] Cfr. CIV,  41-42.
[2] De acordo com Bauman, nesta era de globalização, para além dos resultados positivos de que a mesma é portadora, todos os problemas  a ela subjacentes são globais, ou seja têm origem global e  da globalização tiram a seiva vital  e, portanto, a sua resolução não pode ser deixada apenas para as iniciativas locais (Cfr. Z. BAUMAN, Modus vivendi. Inferno e Utopia del mondo liquido, Bari, Laterza, 2007, p. 27).
[3] J. SOMAVIA, La sfida per una globalizzazione più giusta, Genève, Organizzazione Internazionale del Lavoro, 2005,  p. 12;  Cfr. também M. TOSO, La speranza dei popoli. Lo sviluppo nella carità e nella verità. L’enciclica sociale di Benedetto XVI letta e commentata da Mario Toso, Roma, LAS, 22010, p. 64.

domingo, 25 de julho de 2010

PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS!

Se quiseres, entra num transporte público urbano ou mesmo extraurbano ( autocarro, comboio, metro, etc.) uma vez por dia, durante uma semana, e ao fim faz a conta de quantas vezes terás ouvido dizer “desculpe!”. É que terás a impressão de que a palavra mais fácil de pronunciar seja exactamente esta: “desculpe!” E então os que passam os dias em balcões de informação nos aeroportos, estações ferroviárias, etc., esses voltam às suas casas com o dever cumprido de terem “desculpado” muitos erros, culpas ou enganos cometidos em casa ou na rua por cada um dos seus clientes ou simplesmente transeuntes, não sei como. É que a cada instante aparece alguém pedindo informação e não o faz sem antes dizer “desculpe” ou, mais carinhosa e delicadamente “queira me desculpar…”. E, geralmente, a resposta imediata, sem que as pessoas se interroguem sobre esse pedido de desculpa, é esta: “está desculpado…, diga, se faz favor…!”. Já pensaste em quantas pessoas esses funcionários “desculpam” por dia? Trata-se de uma simples etiqueta, um automatismo, um “instinto” ou as pessoas têm mesmo qualquer propensão a pedir desculpas impelidas pelo respectivo sentimento de culpa?

Na verdade, o que se verifica é que às vezes existem poucos motivos de pedir desculpas; pelo que fica muito mais fácil pronunciar tal palavra, o que não acontece quando há efectivamente motivos reais e sérios para pedir desculpas. E é exactamente por isso que até quem tem maiores dificuldades em pedir desculpas a quem ele realmente ofendeu, ou quem não consegue aceitar as desculpas de outrem ( em casa, na comunidade, no escritório, na escola, ecc.), não lhe é difícil dizer “desculpe” nas circunstâncias acima descritas, quer dizer, simplesmente para fazer passar a imagem de bom cavalheiro mesmo em banalidades.

De facto, querendo ser mais precisos, pedir desculpas não é a mesma coisa pedir perdão, ou melhor, se o pedido de perdão implica também o pedido de desculpas, nem sempre o pedido de desculpas implica a existência de uma ofensa passível de perdão a pedir ou a dar. Pedir perdão ou perdoar não é coisa fácil: implica humilhação, aceitação de si ( consciência das suas crises, pecados, limites, fraquezas…), aceitação do outro ( suas qualidades, sua dignidade, suas potencialidades), dar o primeiro passo em direcção ao outro, desarmar o coração e as mãos dispondo-se a abraçar o irmão. Só com esta atitude, os cristãos deveriam ousar dizer a Deus, o Único que perdoa sem precisar de ser perdoado: “perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt. 6, 12).

Mas se por um lado encontramos casos em que o pedido sincero de perdão ou de desculpa conquista simpatia, tolerância, clemência, amor, aceitação da parte do ofendido, em não poucas ocasiões esta humilde e sincera atitude acarreta para o sujeito ofensor ou “pecador” arrependido marginalização, intolerância, aproveitando-se do reconhecimento doloroso do seu mal como ponto de apoio da nossa crítica e às vezes até da nossa doutrina. Quando eu era pequeno os adultos repetiam tanto o adágio: “quem confessa a verdade, não merece castigo”! Mas hoje, muitas vezes quem confessa a verdade é vítima da sua confissão. Nao é que se deva excluir o cumprimento da pena que a ofensa ou pecado merece, mas que o sentimento de culpa e o conseguente arrependimento e confissão da verdade seja aproveitado como o primeiro remédio que leva à cura efectiva da pessoa e um laço inquebrantàvel do restabelecimento da amizade e da fraternidade entre filhos do mesmo Pai. Não foi isso que Jesus fez com Zaqueo, com Pedro, com Levi e outros publicanos só para citar alguns exemplos? A paz e a reconciliação de que carece o nosso mundo de hoje serão possíveis apenas se aprendermos não so a perdoar, na verdade e no amor, aqueles que nos ofendem mas também a saber pedir perdão àqueles que a nossa antipatia, a nossa intolerancia ofendem.

Para um mundo em paz, è preciso aprender a oferecer e a pedir perdao!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

FELIZ NATAL

Feliz Natal

Estamos habituados a ouvir soar nos nossos ouvidos, cada Dezembro de todos os anos, sobretudo nos dias que se aproximam ao 25, e muito mais no próprio 25 de Dezembro esta expressão que mais do que um desejo, um augúrio, se tornou sintomática, se não autómata pelo menos quase mecânica, uma rotina, tendência a que eu mesmo não escapo: Feliz Natal! Afinal, tal Dezembro tal Natal!
Feliz Natal…! Quando me dirijo com este augúrio a uma pessoa mais ou menos bastarda ou a alguém cuja condição de vida eu saiba não ser muito precária, digo-o a tom muito vivo e com sorriso acrescentado esperando receber em troca o mesmo gesto de civismo e simpatia, sobretudo se se trata de um compadre, uma comadre, um amigo, colega, uma amiga… Mas é de igual modo sintomático tomar uma atitude de distância, de arrogância, de antipatia, de defesa do próprio ego e, até, de fuga quando nos encontramos tète a tète com um pobre, um mendigo a quem nos vemos obrigados pela situação a dizer também“Feliz Natal”. Titubeamos não só porque saibamos que ele venha a esperar de nós uma oferta concreta, mas também e sobretudo porque não nos interessa o seu sorriso e, se formos um pouco sensíveis, nos pesará à consciência deixá-lo certos de que o seu Natal em nada será “feliz”. É certo que para o cristão, o seu Natal será sempre feliz porque o vive desde dentro, isto é, desde o seu coração que acolhe com simplicidade Jesus e vive com serenidade as dificuldades e a sua luta pela vida; e para quem vive deste modo não interessam as luzes do presépio, mas a luz que sente acender-se dentro de si que cria sempre, duma ou doutra maneira, um clima de solenidade.
Mas consideremos que o Natal é tudo isto e mais alguma coisa: é paz interior e exterior, é liberdade e libertação, é dignidade e amor… é disponibilidade ao outro e atenção às suas necessidades. Neste caso, “Feliz Natal” – e é isto que eu defendo – mais do que um augúrio é e deve ser um empenho, um compromisso não só com o Natal Feliz do próximo, mas com a sua felicidade hoje ( “o pão nosso de cada dia nos dai hoje…”) e no futuro ( porque esse “futuro” é construido por “cada dia” de pão e saciedade em dignidade). E essa felicidade é inimiga de tudo aquilo que reduz a pessoa humana a um mero objecto de consumo das ideologias ou das empresas, mesmo que garantam o pão material. De facto, no nosso planeta, existem muitas pessoas fartas de pão mas carentes de amor, de afecto, de justiça, de paz efectiva, de perdão, excluidas. O nosso Natal deve ser acima de tudo um Natal de solidariedade multidimensional (isto é, sentimento ou a atitude através da qual nos colocamos do lado ou em ajuda de quem clama por uma necessidade, ajudá-lo com o que estiver ao nosso alcance, individuarmos as outras necessidades e todos os seus direitos inerentes à sua dignidade e despertá-lo para tal, sem excluir os deveres que a ele cabem, e ser sua voz junto de quem possa, por dever, responder cabalmente a tais necessiddes).
“Feliz Natal”, afinal, é uma expressão pesada se tivermos em conta as suas implicações, mas bonita se prezarmos o engajamento com uma causa nobre a que nos pode levar. Feliz Natal devia mesmo significar: Feliz Natal porque eu, não só rezo para que celebres este Natal com saúde e muitos bolos aí em casa, me empenho a que o teu Natal seja feliz com esta pequena contribuição que eu dou ( este sorriso sim, talvez esta moeda também, esta prece pela tua família e por ti, esta flor…) e com a promessa de lutar ( com a voz, com as atitudes…) para que pessoas como tu venham a ser felizes no futuro. Assim, já posso dizer com muita força a todos : “FELIZ NATAL!”

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O meu sonho de paz




O estudo da história da evolução do homem conta-nos que este, a dado momento do seu percurso, começou a fabricar instrumentos de trabalho e de defesa ( lanças, flechas, catanas, enxadas, espadas, etc.) com os quais procurava garantir o seu sustento e assegurar a sua protecção contra os ataques do seu ambiente vital que se tornava cada vez mais agressivo: forças da natureza, calamidades naturais, invasões “inimigas”...
Com o surgimento da técnica e, por conseguinte, do aperfeiçoamento dos instrumentos de trabalho e de defesa, foi crescendo no homem o desejo desmedido de exercitar-se na arte da guerra e da violência de tal modo que não se fez esperar a desproporção entre os instrumentos de trabalho e os meios bélicos. Assim, hoje em dia enquanto faltam meios básicos de subsistência para muitos pobres que morrem noite e dia, não faltam porém meios de destruição (armas) que todos os dias fazem outras tantas vítimas no mundo sobretudo entre os mesmos pobres que se vão dizimando uns aos outros sob o olhar impávido, tímido e irônico de quem fez da indústria das armas a fonte principal da sua prosperidade.
Mas então basta desarmar os homens, transformar os tanques em carroças, os aviões de guerra em cargueiros, as bombas em foguetes de festa, “as lanças em foices” para garantir a paz efectiva, messiânica anunciada pelos profetas?
Tudo isso é necessário e é o primeiro passo, mas não basta. Não é este o meu sonho de paz! Na verdade, é preciso antes de mais desarmar-se dos “músculos psicológicos” de supremacia, de orgulho, de arrogância, de prepotência, de superioridade e colocar-se na lógica das bem-aventuranças aceitando o desafio de acolher a mensagem de paz como “filho de Deus” que assume o sacrossanto compromisso de a construir não só com as suas mãos (mecanicamente, o que serve para o desenvolvimento material), mas com o seu coração e a sua mente ( em prol do desenvolvimento integral e humanizado). É este o meu sonho de paz e foi esta a paz profética: uma paz que brota de um coração transformado, convertido!
Com efeito, só quem faz da paz não uma mera questão de “operar” mas um modo “essencial” de ser pode se tornar um “obreiro da paz”. Mais do que “fazer paz”, é preciso “estar em e na paz” e “ser paz” que, longe de nos enclausurar no casulo da nossa própria comodidade a favor dos nossos interesses individuais e individualistas desabrocha, como uma flor, e faz cair as suas pétalas anunciando ao próximo a época de uma colheita abundante e de qualidade em justiça, honestidade, verdade, amor, solidariedade, alegria, amizade, empatia, diálogo. Uma vez assumidos e vividos esses valores, não só estaremos em condições de socorrer quem clama pelo pão, mas também prontos a mudar a nossa mentalidade poluída de ódios, rancores, mentiras, superstições e calúnias...
E então haverá paz! E essa paz é viva e tem nome: Jesus!
E não nos será difícil depor as armas.


É este o meu sonho de paz que se torna prece:

Que a Igreja ( dioceses, paróquias, pequenas comunidades, comunidades religiosas e similares) se tornará realmente em monte da “transfiguração” em que o rosto de Jesus será claramente visível nos seus membros;
Que os irmãos desavindos se reencontrarão e se reconciliarão;
Que as famílias serão verdadeiros viveiros do amor, da compreensão, do diálogo e do perdão recíproco;
Que a riqueza das nossas diversidades
raciais, culturais, religiosas,
étnicas e tribais não será mais motivo de divergências e guerras intermináveis;
Que o Senhor livrará da depressão e da crise comunitária quem aspira desenfreadamente a cargos e dará serenidade e alegria a quem estimula intrigas e
desestabilização nas comunidades;
Que os pobres não serão mais desfrutados
pelos ricos;
Que os chefes das nações governarão com equidade e transparência;
Que as crianças de rua
encontrarão sempre protecção e lhes será reconhecido o direito à dignidade e ao pão;
Que os direitos das mulheres serão defendidos e
respeitados!

sexta-feira, 2 de janeiro de 1970